Miguel Braz

O meu nome é Miguel Braz, Sou Designer Gráfico, Ilustrador e Pintor. Encontrem-me no Behance e Facebook.

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04
Fev.2015

Cenas Estranhas e Outras Histórias no Paraiso

http://cafeparaisotomar.com/

São poucos os estabelecimentos comerciais que sobrevivem a um século de vida… são poucos, mas de entre eles encontramos o Café Paraíso de Tomar. Situado em pleno centro histórico da cidade, servindo de atracção aos que passam, ergue-se este espaço centenário inaugurado nos idos anos da instauração da República Portuguesa, a 20 de Maio de 1911.
Há cem anos, o Café Paraíso trouxe a Tomar um toque de novidade - “O Café é montado à moderna e ficará sendo o melhor da nossa cidade”, escrevia-se então no jornal “A Verdade”. O novo espaço pertencia à “Empreza do Paraízo de Thomar” fundada por cinco sócios amigos. Um deles, Manuel Cândido da Mota, viria a tornar-se mais tarde no único proprietário do café, e é sob a sua gestão que começam a vender-se os “sorvetes”, gelo ou vários vinhos “do Porto, Madeira, Bucellas, Collares, Verde d’Amarante, Carcavellos, Cognacs, Licores, Champagne” como se pode testemunhar nos anúncios publicados na imprensa local da época.
Em 1946 realizam-se as obras de remodelação. Sem fechar portas à clientela, fizeram-se mudanças profundas. As portas ogivais deram lugar a uma extensa montra. As colunas de ferro foram forradas a imitação de mármore. Nas paredes, em vez do papel de fantasia, passaram a brilhar os reflexos das dezenas de espelhos importados de Itália e no tecto começaram a girar duas ventoinhas gigantes, que hoje são a imagem de marca do “Paraíso”. Dois anos mais tarde, em 1948, é inaugurado o salão de bilhar. Nesta altura, Manuel Mota Grego, sobrinho de Cândido da Mota (entretanto falecido em pleno café a 18 de Maio de 1935), estava à frente dos destinos do café. Foi ele o responsável pela arquitectura elegante que ainda hoje ali se pode encontrar.

Manuel Mota Grego falece em 1982, mas o “Paraíso” continua sob gestão familiar. Duas mulheres, Maria do Rosário Alves Grego e Maria Luísa Alves Grego, mãe e filha, mantêm o estabelecimento em pleno funcionamento e zelam pela conservação do seu espólio.

A última grande transformação do Café Paraíso foi promovida pela actual gerência. Desta vez, a quarta geração Mota Grego (a partir de 1993), formada por Alexandra Grego e Pedro Santos, optou por dar “nova vida” ao estabelecimento, abrindo as portas à noite, até às 2h00. Em 2000 o café sofre ainda obras de restauro e algumas mudanças, como o alongar do balcão.

Durante cem anos este património da cultura tomarense testemunhou o evoluir da cidade e da região, acolheu tertúlias e serviu de ponte entre gerações. Acolheu dezenas de personalidades, como o compositor Fernando Lopes-Graça, o escritor tomarense “Nini” Ferreira ou o mais afamado escritor italiano Umberto Eco. Também eles se encantaram pelo ambiente calmo, durante o dia, ideal para dedicar tempo à arte através da leitura de um livro ou a estar informado com os jornais. No entanto, agora quando o sol se põe, o tempo acelera para a última bica do dia ou o primeiro copo da noite. E continuam as conversas, os reencontros e o prazer de reentrar no Café Paraíso.

Textos: Justo Realce - Comunicação e Eventos, Lda.

Nesta altura, Manuel Mota Grego, sobrinho de Cândido da Mota (entretanto falecido em pleno café a 18 de Maio de 1935), estava à frente dos destinos do café. Foi ele o responsável pela arquitectura elegante que ainda hoje ali se pode encontrar.

Manuel Mota Grego falece em 1982, mas o “Paraíso” continua sob gestão familiar. Duas mulheres, Maria do Rosário Alves Grego e Maria Luísa Alves Grego, mãe e filha, mantêm o estabelecimento em pleno funcionamento e zelam pela conservação do seu espólio.

Ler 4450 vezes Modificado em quinta, 05 fevereiro 2015 18:32
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